{"id":619,"date":"2018-11-21T07:47:01","date_gmt":"2018-11-21T07:47:01","guid":{"rendered":"https:\/\/demo.everestthemes.com\/everestnews\/demo\/everest-news-pro-i\/?p=619"},"modified":"2023-12-21T09:57:49","modified_gmt":"2023-12-21T12:57:49","slug":"taking-photos-are-best-lifestyle-to-live","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/escolacriativaestancia.com.br\/?p=619","title":{"rendered":"Autismo e inclus\u00e3o escolar: os desafios da inclus\u00e3o do aluno autista"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\">Fonte: <a href=\"https:\/\/educacaopublica.cecierj.edu.br\/artigos\/20\/34\/autismo-e-inclusao-escolar-os-desafios-da-inclusao-do-aluno-autista\">Revista Educa\u00e7\u00e3o P\u00fablica &#8211; Autismo e inclus\u00e3o escolar: os desafios da inclus\u00e3o do aluno autista (cecierj.edu.br)<\/a><\/p>\n<p>Quando se fala sobre a inclus\u00e3o da crian\u00e7a com autismo na escola de ensino regular, deve-se pensar tamb\u00e9m no professor, pois este, muitas vezes, n\u00e3o est\u00e1 preparado para receber os alunos com autismo. Diante disso, este artigo apresenta como problem\u00e1tica: qual \u00e9 o papel do professor frente \u00e0 inclus\u00e3o escolar de crian\u00e7as com autismo na rede regular de ensino? O professor \u00e9 visto como mediador no processo inclusivo; \u00e9 ele quem promove o contato inicial da crian\u00e7a com a sala de aula, pois \u00e9 o respons\u00e1vel por inclu\u00ed-lo nas atividades com toda a turma.<\/p>\n<p>Um dos maiores desafios da atualidade \u00e9 proporcionar uma educa\u00e7\u00e3o para todos, sem distin\u00e7\u00f5es, al\u00e9m de assegurar um trabalho educativo organizado e adaptado para atender \u00e0s Necessidades Educacionais Especiais dos alunos. Nesse sentido, Borges (2005, p. 3 apud Bortolozzo, 2007, p. 15) afirma que \u201cum aluno tem necessidades educacionais especiais quando apresenta dificuldades maiores que o restante dos alunos da sua idade para aprender o que est\u00e1 sendo previsto no curr\u00edculo, precisando, assim, de caminhos alternativos para alcan\u00e7ar este aprendizado\u201d.<\/p>\n<p>Miranda e Filho (2012, p. 12) salientam que, \u201cnesse processo, o educador precisa saber potencializar a autonomia, a criatividade e a comunica\u00e7\u00e3o dos estudantes, e, por sua vez, tornar-se produtor de seu pr\u00f3prio saber\u201d.<\/p>\n<p>Portanto, o aluno com autismo ou TEA (transtorno do espectro autista), apresenta caracter\u00edsticas variadas que comprometem, desde as suas rela\u00e7\u00f5es com outras pessoas at\u00e9 a sua linguagem, necessitando, assim, de apoio no seu processo de ensino-aprendizagem. De tal modo, a oferta de escolariza\u00e7\u00e3o para todos, na perspectiva de inserir os alunos com Necessidades Educacionais Especiais na escola regular, \u201caos poucos vem ocorrendo em nosso cen\u00e1rio educacional\u201d (Carneiro, 2012, p. 13). Nesse sentido, os direitos educacionais devem ser estendidos \u00e0 pessoa com autismo, conforme garantido na Constitui\u00e7\u00e3o Federal; em seu Art. 205, em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 educa\u00e7\u00e3o como um direito de todos, bem como no Art. 206, inciso I, que estabelece igualdade de condi\u00e7\u00f5es de acesso e perman\u00eancia na escola. Esses direitos tamb\u00e9m s\u00e3o previstos na Lei de Diretrizes e Bases da Educa\u00e7\u00e3o Nacional (Lei n\u00ba 9.394\/96), nos Arts. 58 e 59, que oferecem respaldo para que o ensino da pessoa com defici\u00eancia (e que apresenta necessidades educacionais especiais) seja ministrado no ensino regular, preferencialmente, assim como em decretos e documentos. Al\u00e9m disso, h\u00e1 direitos previstos no Art. 1\u00ba, no \u00a7 2\u00ba, da Lei n\u00ba 12.764\/12, que institui a Pol\u00edtica Nacional de Prote\u00e7\u00e3o dos Direitos da Pessoa com TEA, designando acesso \u00e0 educa\u00e7\u00e3o com as adapta\u00e7\u00f5es cab\u00edveis que contemplem suas necessidades.<\/p>\n<p>O autismo<br \/>\nEtimologicamente falando, autismo vem da palavra de origem grega &#8220;autos&#8221; cujo significado \u00e9 &#8220;pr\u00f3prio ou de si mesmo&#8221;, sendo caracterizado como um dist\u00farbio neurol\u00f3gico que surge ainda na inf\u00e2ncia, causando atrasos no desenvolvimento (na aprendizagem e na intera\u00e7\u00e3o social) da crian\u00e7a.<\/p>\n<p>O autismo n\u00e3o tem causa definida. \u00c9 um transtorno que provoca atraso no desenvolvimento infantil, comprometendo principalmente sua socializa\u00e7\u00e3o, comunica\u00e7\u00e3o e imagina\u00e7\u00e3o. Manifesta-se at\u00e9 os tr\u00eas anos de idade e ocorre quatro vezes mais em meninos do que em meninas. Algumas caracter\u00edsticas s\u00e3o bem gerais e marcantes, como a tend\u00eancia ao isolamento, a aus\u00eancia de movimento antecipat\u00f3rio, as dificuldades na comunica\u00e7\u00e3o, as altera\u00e7\u00f5es na linguagem, com ecolalia e invers\u00e3o pronominal, os problemas comportamentais com atividades e movimentos repetitivos, a resist\u00eancia a mudan\u00e7as e a limita\u00e7\u00e3o de atividade espont\u00e2nea. Bom potencial cognitivo, embora n\u00e3o demonstrassem. Capacidade de memorizar grande quantidade de material sem sentido ou efeito pr\u00e1tico. Dificuldade motora global e problemas com a alimenta\u00e7\u00e3o (Kanner apud Menezes, 2012, p. 37).<\/p>\n<p>O TEA pode vir acompanhado de outros dist\u00farbios, como depress\u00e3o, epilepsia e hiperatividade. Apresenta-se em graus variados, desde os mais severos (em que a pessoa n\u00e3o fala, n\u00e3o olha, n\u00e3o mostra interesse algum no outro) at\u00e9 os mais leves, chamado de alto funcionamento (falam, s\u00e3o capazes de acompanhar estudo normal, desenvolver-se em uma profiss\u00e3o, criar v\u00ednculos com outras pessoas).<\/p>\n<p>Com o surgimento do conceito de transtorno global de desenvolvimento (TGD), atrav\u00e9s de estudos de M. Rutter e D. Cohen, o autismo passou a ser descrito e compreendido como \u201cum conjunto de transtornos qualitativos de fun\u00e7\u00f5es envolvidas no desenvolvimento humano, diferenciado da psicose infantil\u201d (Belis\u00e1rio Filho, 2010, p. 12). A partir da\u00ed, foram verificados outras caracter\u00edsticas diferentes.<\/p>\n<p>O diagn\u00f3stico do TGD \u00e9 eminentemente cl\u00ednico e multidisciplinar, apesar de existirem outros instrumentos que ajudam na identifica\u00e7\u00e3o dos indiv\u00edduos afetados. Existem v\u00e1rios tipos de tratamento para o bom desempenho do autista. Esses tratamentos requerem desde profissionais especializados, como fonoaudi\u00f3logo, psic\u00f3logo, terapeuta ocupacional infantil, at\u00e9 outros profissionais na \u00e1rea da educa\u00e7\u00e3o. No que diz respeito ao tratamento farmacol\u00f3gico, n\u00e3o existe medica\u00e7\u00e3o e nem tratamento espec\u00edfico para o transtorno autista. Entretanto, algumas subst\u00e2ncias s\u00e3o eficazes para auxiliar a controlar os sintomas do autismo em alguns casos.<\/p>\n<p>De acordo com Schwartzman (1994), as causas para o TGD s\u00e3o multifatoriais, que dependem de fatores gen\u00e9ticos e ambientais. Geralmente, o diagn\u00f3stico do autismo se d\u00e1 antes dos tr\u00eas anos de idade, tendo como crit\u00e9rio b\u00e1sico perdas significativas da linguagem expressiva e receptiva, compet\u00eancias sociais e adaptativas, controle dos esf\u00edncteres vesicais e ou anais, jogos simb\u00f3licos ou imaginativos, destrezas motoras. Podem-se acrescentar as principais caracter\u00edsticas da pessoa autista em tr\u00eas aspectos, segundo Kanner (apud Rivi\u00e8re, 2004, p. 235): as rela\u00e7\u00f5es sociais (sociabilidade seletiva, dificuldade na intera\u00e7\u00e3o social, padr\u00f5es restritos e repetitivos de comportamentos, recusa colo ou afagos, n\u00e3o estabelece contados com os olhos); a comunica\u00e7\u00e3o e a linguagem (atrasos ou aus\u00eancia do desenvolvimento da linguagem, dificuldades em expressar necessidades, dificuldades acentuadas no comportamento n\u00e3o verbal, aus\u00eancia de resposta aos m\u00e9todos normais de ensino); a insist\u00eancia em n\u00e3o variar o ambiente (assume formas inflex\u00edveis de rotinas, preocupa\u00e7\u00e3o insistente com partes de objetos, em vez do todo). Sobre o tratamento, o material elaborado pelo Minist\u00e9rio da Sa\u00fade que abarca as diretrizes de aten\u00e7\u00e3o \u00e0 reabilita\u00e7\u00e3o da pessoa com TEA, descreve que:<\/p>\n<p>O tratamento deve ser estabelecido de modo acolhedor e humanizado, considerando o estado emocional da pessoa com TEA e seus familiares, direcionando suas a\u00e7\u00f5es ao desenvolvimento de funcionalidades e \u00e0 compensa\u00e7\u00e3o de limita\u00e7\u00f5es funcionais, como tamb\u00e9m \u00e0 preven\u00e7\u00e3o ou retardo de poss\u00edvel deteriora\u00e7\u00e3o das capacidades funcionais, por meio de processos de habilita\u00e7\u00e3o e reabilita\u00e7\u00e3o focados no acompanhamento m\u00e9dico e no de outros profissionais de sa\u00fade envolvidos com as dimens\u00f5es comportamentais, emocionais, cognitivas e de linguagem (oral, escrita e n\u00e3o verbal), pois estas s\u00e3o dimens\u00f5es b\u00e1sicas \u00e0 circula\u00e7\u00e3o e \u00e0 perten\u00e7a social das pessoas com TEA na sociedade (Brasil, 2012, p. 57).<\/p>\n<p>De maneira geral, tem-se ampliado mais o conhecimento sobre o autismo e, por consequ\u00eancia, ampliado mais as possibilidades de interven\u00e7\u00e3o. Atualmente, os diagn\u00f3sticos de TEA s\u00e3o mais frequentes, muito provavelmente porque passou a ser uma condi\u00e7\u00e3o mais conhecida. No Brasil, essa preocupa\u00e7\u00e3o \u00e9 recente, e, em 27 de dezembro de 2012, foi promulgada a Lei n\u00ba 12.764, que instituiu a Pol\u00edtica Nacional de Prote\u00e7\u00e3o dos Direitos da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista, dentre v\u00e1rios t\u00f3picos relevantes. Um deles diz respeito ao fato de se considerar a pessoa com TEA como pessoa com defici\u00eancia para todos os efeitos legais &#8211; Art. 1\u00ba, \u00a7 2\u00ba (Brasil, 2012). Assim, todo o direito reservado \u00e0 pessoa com defici\u00eancia, passa, a partir dessa lei, a contemplar tamb\u00e9m a pessoa com autismo.<\/p>\n<p>A inclus\u00e3o escolar do aluno autista<br \/>\nA escola recebe uma crian\u00e7a com dificuldades em se relacionar, seguir regras sociais e se adaptar ao novo ambiente. Esse comportamento \u00e9 logo confundido com falta de educa\u00e7\u00e3o e limite. E por falta de conhecimento, alguns profissionais da educa\u00e7\u00e3o n\u00e3o sabem reconhecer e identificar as caracter\u00edsticas de um autista, principalmente os de alto funcionamento, com grau baixo de comprometimento. Os profissionais da educa\u00e7\u00e3o n\u00e3o s\u00e3o preparados para lidar com crian\u00e7as autistas e a escassez de bibliografias apropriadas dificulta o acesso \u00e0 informa\u00e7\u00e3o na \u00e1rea. (Santos, 2008, p. 9).<\/p>\n<p>Santos (2008) afirma que a escola tem papel importante na investiga\u00e7\u00e3o diagn\u00f3stica, uma vez que \u00e9 o primeiro lugar de intera\u00e7\u00e3o social da crian\u00e7a separada de seus familiares. \u00c9 onde a crian\u00e7a vai ter maior dificuldade em se adaptar \u00e0s regras sociais &#8211; o que \u00e9 muito dif\u00edcil para um autista.<\/p>\n<p>O aluno com o TEA aprende. Essas s\u00e3o as primeiras ideias que queremos enfatizar neste pequeno texto. A aprendizagem \u00e9 caracter\u00edstica do ser humano. O ensino e aprendizagem s\u00e3o dois movimentos que se ligam na constru\u00e7\u00e3o do conhecimento. \u00c9 uma constru\u00e7\u00e3o dial\u00f3gica e n\u00e3o interpretativa; express\u00e3o imanente da nossa humanidade, que abarca tamb\u00e9m o aprendente com autismo (Cunha, 2016, p. 15).<\/p>\n<p>O indiv\u00edduo com autismo encontra uma s\u00e9rie de dificuldades ao ingressar na escola regular. Essas dificuldades passam a fazer parte da rotina dos professores e da escola como um todo. Uma maneira de melhorar a adapta\u00e7\u00e3o e, consequentemente, obter a diminui\u00e7\u00e3o dessa conting\u00eancia trazida pela crian\u00e7a e promover sua aprendizagem \u00e9 adaptar o curr\u00edculo.<\/p>\n<p>De acordo com Valle e Maia (2010, p. 23), a adapta\u00e7\u00e3o curricular se define como \u201co conjunto de modifica\u00e7\u00f5es que se realizam nos objetivos, conte\u00fados, crit\u00e9rios e procedimentos de avalia\u00e7\u00e3o, atividades e metodologia para atender as diferen\u00e7as individuais dos alunos\u201d.<\/p>\n<p>As adequa\u00e7\u00f5es curriculares servem para flexibilizar e viabilizar o acesso \u00e0s diretrizes estabelecidas pelo curr\u00edculo regular e n\u00e3o possuem a inten\u00e7\u00e3o de desenvolver uma nova proposta curricular, mas estabelecer um curr\u00edculo din\u00e2mico, alter\u00e1vel, pass\u00edvel de amplia\u00e7\u00e3o, para que atenda realmente a todos os educandos. Isso \u00e9 facilmente realizado quando h\u00e1 disponibilidade do profissional da sala de recurso na escola, que contribui para que sejam planificadas as a\u00e7\u00f5es pedag\u00f3gicas e o conte\u00fado que o aluno deve aprender (Valle; Maia, 2010).<\/p>\n<p>A flexibiliza\u00e7\u00e3o do curr\u00edculo \u00e9 uma forma de estabelecer o v\u00ednculo e a cumplicidade entre pais e educadores, para que, no espa\u00e7o escolar, ocorra a coes\u00e3o de vontades, entre educadores e fam\u00edlia, das compet\u00eancias estabelecidas para a educa\u00e7\u00e3o do aluno com autismo. Essa revolu\u00e7\u00e3o estrutural acontece atrav\u00e9s do manejo do curr\u00edculo frente aos desafios enfrentados com a vinda da crian\u00e7a com autismo \u00e0 escola regular.<\/p>\n<p>Contudo, todos os dist\u00farbios cognitivos podem ser amenizados com a estimula\u00e7\u00e3o precoce. Diante de uma figura com v\u00e1rios detalhes, a pessoa com autismo tende a perceber apenas uma parte do todo ou, ainda, diante de um est\u00edmulo composto, por exemplo, visual e auditivo, um dele \u00e9 aparentemente ignorado. Existe dificuldade em relacionar as partes e o todo. Essa problem\u00e1tica tamb\u00e9m aparece na integra\u00e7\u00e3o de uma informa\u00e7\u00e3o ao todo; por isso, existe a necessidade de refor\u00e7adores consistentes entre est\u00edmulo, respostas e consequ\u00eancias, para que possam estabelecer esses v\u00ednculos e adquirir novos comportamentos.<\/p>\n<p>Refor\u00e7adores sociais, como elogios e est\u00edmulos verbais, n\u00e3o s\u00e3o suficientes para a aquisi\u00e7\u00e3o e manuten\u00e7\u00e3o de habilidades. Assim sendo, uma a\u00e7\u00e3o positiva pode ser retribu\u00edda e\/ou refor\u00e7ada com um objeto de seu agrado.<\/p>\n<p>O docente deve observar seu aluno e incentiv\u00e1-lo com entusiasmo, aproximando-se devagar e sempre com um objetivo tra\u00e7ado. A intera\u00e7\u00e3o com a fam\u00edlia \u00e9 importante. La\u00e7o de companheirismo e solidariedade facilita o trabalho do educador. Muitas ideias v\u00e3o surgindo quando se conhece e motiva o aluno. O processo pode parecer lento, por\u00e9m, torna-se eficaz a partir de uma aula planejada e direcionada por metas e objetivos preestabelecidos.<\/p>\n<p>Segundo Gauderer (1987), \u201cas crian\u00e7as com autismo, em geral, apresentam dificuldade em aprender a utilizar corretamente as palavras, mas quando participam de um programa intenso de aulas parecem ocorrer mudan\u00e7as positivas nas habilidades de linguagem, motoras, intera\u00e7\u00e3o social e a aprendizagem\u201d.<\/p>\n<p>De acordo com Bosa (2002), a aus\u00eancia de respostas das crian\u00e7as autistas deve-se, muitas vezes, \u00e0 falta de compreens\u00e3o do que est\u00e1 sendo exigido dela, ao inv\u00e9s de uma atitude de isolamento e recusa proposital.<\/p>\n<p>Atividades que auxiliam o processo de ensino-aprendizagem que agucem a sua consci\u00eancia sens\u00f3rio motor, fino e grosso, como atividades que utilizem pin\u00e7as, jogos com bot\u00f5es, garrafas pets, estimulando o toque em materiais fofos, como almofadas, entre outros. \u00c9 prov\u00e1vel que o aluno, no in\u00edcio de seu conv\u00edvio com o professor, demonstre agressividade, desinteresse, por\u00e9m, cabe ao educador criar estrat\u00e9gias que diminuam essas problem\u00e1ticas e conduzir os conte\u00fados pertinentes ao seu desenvolvimento. Trabalhar com crian\u00e7as com autismo \u00e9 um desafio di\u00e1rio. O professor ter\u00e1 que perceber as dificuldades, as limita\u00e7\u00f5es e as potencialidades, gostos e est\u00edmulos que mais o auxiliar\u00e3o a atingir os objetivos com esses alunos. As atividades l\u00fadicas s\u00e3o importante para o desenvolvimento social, cognitivo, a capacidade psicomotora e afetiva da crian\u00e7a autista, proporcionando o prazer de aprender e se desenvolver, respeitando suas limita\u00e7\u00f5es, assim, \u201ctenho a tend\u00eancia em definir a atividade l\u00fadica como aquela que propicia a \u201cplenitude da experi\u00eancia\u201d, (Luckesi, 2005, p. 27).<\/p>\n<p>O papel do professor<br \/>\nO docente deve ter consci\u00eancia clara do importante papel que desempenha ao iniciar o processo de inclus\u00e3o de uma crian\u00e7a com necessidades educacionais especiais associadas ao autismo infantil. Um professor h\u00e1bil pode abrir a porta para v\u00e1rias oportunidades: como cada crian\u00e7a com autismo processa a informa\u00e7\u00e3o e quais s\u00e3o as melhores estrat\u00e9gias de ensino devido \u00e0 singularidade de seus pontos fortes, interesses e habilidades em potencial.<\/p>\n<p>\u00c9 preciso repensar a forma\u00e7\u00e3o de professores especializados, a fim de que estes sejam capazes de trabalhar em diferentes situa\u00e7\u00f5es e possam assumir um papel-chave nos programas de necessidades educativas especiais. Deve ser adaptada uma forma\u00e7\u00e3o inicial n\u00e3o categorizada, abarcando todos os tipos de defici\u00eancia, antes de se enveredar por uma forma\u00e7\u00e3o especializada numa ou em mais \u00e1reas relativas a defici\u00eancias espec\u00edficas (Declara\u00e7\u00e3o de Salamanca, 1994, p. 27).<\/p>\n<p>Nesta mesma dire\u00e7\u00e3o, segundo Fumegalli (2012, p. 40),<\/p>\n<p>a forma\u00e7\u00e3o continuada deve ser objetivo de aprimoramento de todo professor, porque o educador deve acompanhar o processo de evolu\u00e7\u00e3o global, colocando a educa\u00e7\u00e3o passo a passo no contexto de modernidade, tornando-a cada vez mais interessante para o aluno, a fim de que ele possa compreender que, na escola, ele aperfei\u00e7oa sua bagagem. \u00c9 nesse processo que o professor pode ver e rever sua pr\u00e1tica pedag\u00f3gica, as estrat\u00e9gias aplicadas na aprendizagem dos alunos, os erros e acertos desse processo para melhor definir, retomar e modificar o seu fazer de acordo com as necessidades dos alunos.<\/p>\n<p>O professor deve desenvolver metodologias de aprendizagem para que o aluno autista consiga se comunicar e se desenvolver. O conte\u00fado do programa de uma crian\u00e7a autista deve estar de acordo com seu desenvolvimento e potencial, de acordo com a sua idade e de acordo com o seu interesse; o ensino \u00e9 o principal objetivo a ser alcan\u00e7ado, e sua continuidade \u00e9 muito importante, para que elas se tornem independentes. Trabalhar com alunos autistas exige o desenvolvimento de pr\u00e1ticas e estrat\u00e9gias pedag\u00f3gicas que acolham todos e respeitem as diferen\u00e7as. \u201cA incapacidade de desenvolver um relacionamento interpessoal se mostra na falta de resposta ao contato humano e no interesse pelas pessoas, associada a uma falha no desenvolvimento do comportamento normal, de liga\u00e7\u00e3o ou contato. Na inf\u00e2ncia, estas defici\u00eancias se manifestam por uma inadequa\u00e7\u00e3o no modo de se aproximar, falta de contato visual e de resposta facial, indiferen\u00e7a ou avers\u00e3o a afeto e contato f\u00edsico\u201d (Gauderer, 2011, p. 14). Este comportamento, muitas vezes, pode n\u00e3o ser compreendido pela comunidade escolar.<\/p>\n<p>As manifesta\u00e7\u00f5es decorrentes do autismo podem levar ao sentimento de rejei\u00e7\u00e3o por parte de quem n\u00e3o conhece as caracter\u00edsticas desse transtorno. Por isso, os desafios de trabalhar com um aluno autista s\u00e3o grandes, necessitando de bastante conhecimento e preparo para seu acompanhamento. Al\u00e9m de forma\u00e7\u00e3o acad\u00eamica, a sensibilidade e a perspic\u00e1cia do professor s\u00e3o extremamente importantes para aprender o compreender e trabalhar com o aluno autista.<\/p>\n<p>Considera\u00e7\u00f5es finais<br \/>\nA inclus\u00e3o da crian\u00e7a com TEA deve estar muito al\u00e9m da sua presen\u00e7a na sala de aula; deve almejar, sobretudo, a aprendizagem e o desenvolvimento das habilidades e potencialidades, superando as dificuldades.<\/p>\n<p>A educa\u00e7\u00e3o \u00e9 umas das maiores ferramentas para o desenvolvimento de uma crian\u00e7a autista. Atrav\u00e9s da educa\u00e7\u00e3o, essa crian\u00e7a pode aprender tanto mat\u00e9rias acad\u00eamicas quanto atividades do cotidiano. A aprendizagem das crian\u00e7as autistas n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil, contudo fica evidente que, com dedica\u00e7\u00e3o e amor, estas crian\u00e7as podem alcan\u00e7ar uma vida mais independente e com qualidade. Para que o aluno autista desenvolva suas habilidades, \u00e9 necess\u00e1ria uma estrutura escolar eficiente, com preparo profissional de todos os envolvidos no processo educativo. Como o aluno autista tem dificuldades de se adaptar ao mundo externo, a escola deve pensar na adequa\u00e7\u00e3o do contexto. N\u00e3o existem apenas salas de aulas inclusivas, mas escolas inclusivas. Por isso, \u00e9 necess\u00e1rio que a escola crie uma rotina de situa\u00e7\u00e3o no tempo e no espa\u00e7o como estrat\u00e9gias de adapta\u00e7\u00e3o e desenvolvimento desses alunos.<\/p>\n<p>Deste modo, as escolas brasileiras procuram cumprir os objetivos expostos na lei (Brasil, 1996), promovendo um aumento dos n\u00fameros de matriculas de crian\u00e7as com TEA na rede regular de ensino &#8211; e t\u00eam conseguido.<\/p>\n<p>A intera\u00e7\u00e3o entre pais e professores \u00e9 muito importante para o processo de aprendizagem da crian\u00e7a com autismo, pois juntas ir\u00e3o achar formas de atua\u00e7\u00e3o, a fim de favorecer o processo educativo eficaz e significativo na supera\u00e7\u00e3o das dificuldades de uma crian\u00e7a com autismo. Portanto, al\u00e9m de acolhedora e inclusiva, a escola precisa se constituir em espa\u00e7o de produ\u00e7\u00e3o e socializa\u00e7\u00e3o de conhecimentos para todos os alunos, sem distin\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Refer\u00eancias<br \/>\nBELIS\u00c1RIO FILHO, Jos\u00e9 Ferreira; CUNHA, Patr\u00edcia. A Educa\u00e7\u00e3o Especial na perspectiva da inclus\u00e3o escolar: transtornos globais do desenvolvimento. Bras\u00edlia: Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o, Secretaria de Educa\u00e7\u00e3o Especial; Fortaleza: Universidade Federal do Cear\u00e1, 2010.<\/p>\n<p>BOSA, Cleonice. Autismo: atuais interpreta\u00e7\u00f5es para antigas observa\u00e7\u00f5es. In: BOSA, Cleonice. Autismo e educa\u00e7\u00e3o: reflex\u00f5es e propostas de interven\u00e7\u00e3o. Porto Alegre: Artmed, 2002. p. 21-39.<\/p>\n<p>BORTOLOZZO, Ana Rita Serenato. Banco de dados para o uso das tecnologias de informa\u00e7\u00e3o e comunica\u00e7\u00e3o na pr\u00e1tica pedag\u00f3gica de professores de alunos com necessidades especiais. Disserta\u00e7\u00e3o (mestrado), Pontif\u00edcia Universidade Cat\u00f3lica do Paran\u00e1, Curitiba, 2007. Dispon\u00edvel em: http:\/\/www.educadores.diaadia.pr.gov.br\/arquivos\/File\/2010\/artigos_teses\/Pedagogia\/anarita.pdf. Acesso em: 8 jan. 2020.<\/p>\n<p>BRASIL. Lei Federal n\u00ba 12.764, de 27 de dezembro de 2012. Institui a Pol\u00edtica Nacional de Prote\u00e7\u00e3o dos Direitos da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista. Di\u00e1rio Oficial [da] Rep\u00fablica Federativa do Brasil, Bras\u00edlia, 28 dez. 2012.<\/p>\n<p>BRASIL. Lei de Diretrizes e Bases da Educa\u00e7\u00e3o (Lei n\u00ba 9.394\/96). Bras\u00edlia: 1996. Dispon\u00edvel em: http:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/leis\/L9394.htm. Acesso em: 8 jan. 2020.<\/p>\n<p>CUNHA, Gracielle Rodrigues da; BORDINI, Daniela; CAETANO, Sheila Cavalcante. Autismo, transtornos do espectro do autismo. In: CAETANO, Sheila Cavalcante; LIMA-HERNANDES, Maria C\u00e9lia; PAULA, Fraulein Vidigal de; RESENDE, Briseida D\u00f4go de; M\u00d3DOLO, Marcelo (Orgs.). Autismo, linguagem e cogni\u00e7\u00e3o. Jundia\u00ed: Paco, 2015.<\/p>\n<p>DECLARA\u00c7\u00c3O DE SALAMANCA. Dispon\u00edvel em: http:\/\/portal.mec.gov.br\/seesp\/arquivos\/pdf\/salamanca.pdf. Acesso em: 18 dez. 2019.<\/p>\n<p>FUMEGALLI, Rita de C\u00e1ssia de \u00c1vila. Inclus\u00e3o escolar: O desafio de uma educa\u00e7\u00e3o para todos? Iju\u00ed, 2012 \u2013 Dispon\u00edvel em: http:\/\/bibliodigital.unijui.edu.br:8080\/xmlui\/bitstream\/handle\/123456789\/716\/rita%20monografia.pdf?sequence=1. Acesso em: 08 jan. 2020.<\/p>\n<p>GAUDERER, E. C.; PRA\u00c7A, E. T. P. O. Uma reflex\u00e3o acerca da inclus\u00e3o de aluno autista no ensino regular. 2011.<\/p>\n<p>GOLDBERG, Karla. A percep\u00e7\u00e3o do professor acerca do seu trabalho com crian\u00e7as portadoras de autismo e s\u00edndrome de Down: um estudo comparativo. 57 p. Disserta\u00e7\u00e3o (Mestrado), Curso de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Psicologia do Desenvolvimento, Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, 2002.<\/p>\n<p>LUCKESI, C. C. Ludicidades e atividades l\u00fadicas: uma abordagem a partir das experi\u00eancias Internas. Nativa &#8211; Revista de Ci\u00eancias Sociais, n\u00ba 2, 2005.<\/p>\n<p>MENEZES, A. R. S. Inclus\u00e3o escolar de alunos com autismo: quem ensina e quem aprende? Disserta\u00e7\u00e3o (Mestrado), Universidade do Estado do Rio de Janeiro, 2012.<\/p>\n<p>SANTOS, Ana Maria Tarcitano. Autismo: um desafio na alfabetiza\u00e7\u00e3o e no conv\u00edvio escolar. S\u00e3o Paulo: CRDA, 2008.<\/p>\n<p>SCHWARSTZMAN, J. S.; ASSUMP\u00c7\u00c3O Jr., F.B. (Eds.). Autismo infantil. S\u00e3o Paulo: Memnon, 1995.<\/p>\n<p>VALLE, T. G. M.; MAIA, A. C. B. Aprendizagem e comportamento humano. S\u00e3o Paulo: Cultura Acad\u00eamica, 2010.<\/p>\n<p>Publicado em 08 de setembro de 2020<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Fonte: Revista Educa\u00e7\u00e3o P\u00fablica &#8211; Autismo e inclus\u00e3o escolar: os desafios da inclus\u00e3o do aluno<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":813,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"om_disable_all_campaigns":false,"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[14],"tags":[163],"class_list":["post-619","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-inclusao","tag-photograph"],"aioseo_notices":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/escolacriativaestancia.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/619","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/escolacriativaestancia.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/escolacriativaestancia.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/escolacriativaestancia.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/escolacriativaestancia.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=619"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/escolacriativaestancia.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/619\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":818,"href":"https:\/\/escolacriativaestancia.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/619\/revisions\/818"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/escolacriativaestancia.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/813"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/escolacriativaestancia.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=619"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/escolacriativaestancia.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=619"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/escolacriativaestancia.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=619"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}